UTILIZAÇÃO DE HASTE BLOQUEADA EM FRATURAS DE TERCEIRO METACARPIANO/METATARSIANO

André Luis do Valle De Zoppa1, Rodrigo Crispim Moreira2, Luis Cláudio Lopes Correia da Silva1; Cássio Ricardo Auada Ferrigno1

Introdução: Fraturas de canela ocorrem freqüentemente em eqüinos. Osteossíntese com placa é o tratamento sugerido para fraturas diafisárias do III metacarpiano/metatarsiano, contudo, fixadores externos e hastes bloqueadas também são indicadas e utilizadas.

Relato de caso: Foram utilizadas hastes intramedulares para correção de fraturas em três casos. No primeiro caso, um neonato com fratura transversal cominutiva exposta, de terceiro metatarsiano esquerdo não se recuperou da anestesia após o procedimento cirúrgico. No segundo caso, um eqüino com 6 meses apresentava fratura exposta no membro anterior esquerdo há 70 dias. O proprietário realizou imobilização com tala de PVC durante 35 dias e ao retirar a tala ocorreu refratura. No HOVET foi implantado o haste bloqueada de 8mm, e realizada terapia com antibiótico e antiinflamatório. Segundo o proprietário, após 150 dias o animal galopava, mas após sete meses voltou a claudicar. Após avaliação radiográfica, constatou-se colapso do implante. Depois de 11 meses ocorreu nova fratura e o animal foi sacrificado na propriedade. No terceiro caso, uma fêmea, com 13 anos apresentou fratura transversal diafisária cominutiva exposta do III metatarsiano esquerdo. Foram implantados haste intramedular e gesso sintético, que foi retirado após quinze dias por apresentar alterações nos parâmetros fisiológicos, dor e secreção na ferida. Constatando-se falha do implante com instabilidade no foco de fratura, exposição óssea e infecção, foi indicada a eutanásia.

Discussão e conclusão: O desfecho diferenciado dos três casos relatados nos sugere que a técnica citada é viável, tornando-se uma alternativa nos casos de fraturas de canela, tendo como principal empecilho o custo de aquisição do material. Salientamos que a evolução satisfatória dos casos teve relação direta com o controle da infecção no local da fratura.

1 Professor Doutor do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP)
2Médico Veterinário Residente do Hospital Veterinário da FMVZ/USP
Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – USP, Departamento de Cirurgia. Av. Prof. Dr. Orlando Marques de Paiva, 87 - São Paulo. Cep 05508-000. alzoppa@usp.br.