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André Luis do Valle De Zoppa; Daniela de Oliveira; Sandro Colla*; Bruna Mendes; Luis Cláudio L. C. Silva; Raquel Y. A. Baccarin; Wilson Roberto Fernandes
Introdução: Os deslocamentos intestinais são causas comuns de obstruções não estrangulativas do intestino grosso. Dentre eles o deslocamento dorsal à esquerda caracteriza-se por encarceramento do colón maior no espaço nefroesplênico. O tratamento conservativo deve ser instituído em animais que possuem pequena porção do cólon aprisionado, podendo ser realizado através da técnica de rolamento ou por administração de fenilefrina (3 μg/kg/min) durante 15min, o que causará contração esplâncnica (agonista a1 adrenérgico). Em casos graves onde mais de um terço do cólon está envolvido a indicação é correção cirúrgica.
Relato do caso: Foi atendido no Serviço de Clínica Médica/FMVZ/USP um eqüino, fêmea, Mangalarga Paulista com desconforto abdominal leve há 3 horas. No exame clínico apresentou hipomotilidade, freqüência cardíaca 44bpm, freqüência respiratória 43mpm, com demais variáveis fisiológicas normais. O líquido peritoneal apresentava-se com coloração amarelo âmbar e levemente turvo, e na palpação transretal foi diagnosticado encarceramento de cólon maior esquerdo no espaço nefroesplênico. O tratamento instituído foi conservativo através da administração de adrenalina, 1ml em 20ml de solução fisiológica, IV, durante 15min, sendo os primeiros 5ml em 5min. As freqüências cardíaca e respiratória foram monitoradas durante o procedimento. Após esse período o animal foi submetido a caminhada por 30min. Na palpação transretal realizada em seguida constatou-se o desencarceramento.
Discussão: O uso de adrenalina no tratamento de encarceramento nefroesplênico não está descrito na literatura consultada, mas foi usado devido ao seu efeito agonista a1 adrenérgico, e resultados observados na contração esplâncnica durante laparotomia anteriores. Entretanto, é indispensável o monitoramento cardio-respiratório por sua ação adrenérgica também em receptores a2, b1 e b2.
Conclusão: Em casos iniciais de encarceramento nefroesplênico, o tratamento conservativo com administração de adrenalina levando à contração esplâncnica, associada à movimentação do paciente, pode levar a correção do deslocamento, evitando a técnica e anestesia e rolamento do paciente.
Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – USP.
* alzoppa@usp.br