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Renato Fonseca Ferreira II*; Flávia Busnello Giacomazzi; Ana Carolina Corrêa Eneias; Antônio Raphael Teixeira Neto
Introdução: A tromboflebite séptica por cateterização da jugular é uma condição comum em eqüinos, decorrente de uma utilização incorreta de agulhas e/ou cateteres ou mesmo de soluções injetáveis contaminadas. Promove sinais clínicos diretos, como febre, aumento de volume sobre a jugular acometida, aumento da temperatura regional, dor à palpação local, distensão da veia, espessamento da parede vascular e, por fim, trombose com oclusão parcial ou total do fluxo sangüíneo, causando uma distensão de vasos faciais de pequeno calibre e conseqüente edema de cabeça, decorrente de edema contra corrente.
Relato de Caso: Um eqüino macho, puro-sangue árabe, 8 anos de idade, foi encaminhado ao Hospital Veterinário da Universidade de Brasília em razão de complicações clínicas de um quadro de cólica, com histórico de fluidoterapia venosa no haras de origem. Após exame clínico, diagnosticou-se enterite proximal e optou-se pelo tratamento conservativo, com cateterização da jugular direita para administração de fluidos e medicamentos. Sete dias após o início do tratamento, o animal apresentou febre (40,0ºC), taquicardia (64bpm), aumento de volume e rigidez na região da jugular e drenagem perivascular de pus. Em seguida, apresentou congestão vascular facial, edema de cabeça e dispnéia. As alterações encontradas nos exames laboratoriais foram hiperfibrinogenemia (800mg/dL), leucocitose (17200 leucócitos/mL), neutrofilia absoluta (12900 neutrófilos/mL) e relativa (75%), monocitose absoluta (1720 monócitos/mL) e relativa (10%) e linfopenia relativa (13%). A ultra-sonografia detectou obstrução total do vaso por trombo e ausência de fluxo sangüíneo. O tratamento consistiu em massagem local com dimetil-sulfóxido, exposição à radiação infravermelha e higienização externa da região, além de terapia antibacteriana, com ceftiofur sódico, e antiinflamatória, com flunixina meglumina. O animal veio a óbito. À necropsia, constatou-se a presença de trombo que ocupava toda a luz do vaso.
Discussão: Todas as medidas para se evitar uma contaminação foram observadas no tratamento do animal e a terapia foi instituída em tempo hábil, mas sem êxito.
Conclusão: A tromboflebite séptica pode ocorrer mesmo quando são adotadas medidas profiláticas e a resposta ao tratamento nem sempre é positiva.