TRATAMENTO CONSERVATIVO PARA FRATURA SIMPLES E COMPLETA DE TERCEIRO OSSO METACARPIANO EM POTRO – RELATO DE CASO

Flávia Busnello Giacomazzi*, Renato Fonseca Ferreira II; Liana Villela Gouvêa; Fabíola Meireles, Antônio Raphael Teixeira Neto

Introdução: Fraturas no terceiro osso metacarpiano (MCIII) ocorrem em eqüinos de todas as idades, e os potros são particularmente susceptíveis em razão da fragilidade desse osso. Além de sua localização distal, possui pouca cobertura de tecidos moles, o que prejudica a absorção de impactos e, conseqüentemente, favorece a ocorrência de fraturas.

Relato de caso: Uma potra Mangalarga Marchador de 40 dias de idade foi encaminhada ao Hospital Veterinário da Universidade de Brasília apresentando claudicação grau 5 do membro torácico direito. O exame físico detectou deformidade angular no MCIII direito, aumento de volume, temperatura e solução de continuidade na extremidade distal. O exame radiográfico evidenciou a presença de uma fratura simples, completa e transversa no terço distal do MCIII, com evidência de osteomielite. Em razão da idade do animal e dos custos do tratamento cirúrgico, optou-se por tratamento conservativo, com imobilização (gesso sintético e tala de PVC), além de repouso absoluto em baia. Em razão da solução de continuidade, a imobilização inicial foi realizada com tala de PVC. Quando a integridade da pele foi restabelecida, a tala foi substituída por gesso sintético, que permaneceu por 30 dias. Por causa do crescimento do animal e da presença de calo ósseo evidente, o gesso foi retirado e a tala, recolocada. Realizava-se acompanhamento radiográfico da reparação da fratura a cada 20 dias. Após 120 dias de imobilização, com manutenção periódica, a tala foi removida e o animal passou a realizar caminhadas diárias. Quando o exame radiográfico revelou completa reparação da fratura, o animal foi solto em piquete. Ao final do tratamento, a potra apresentou claudicação grau 3.

Discussão: O tratamento conservativo foi a opção escolhida em razão da idade, presença de infecção, função do animal e custos do tratamento. Ao não promover uma união perfeita entre os fragmentos, a imobilização com gesso sintético e tala de PVC resultou em assimetria entre os membros torácicos e persistência da claudicação, em menor grau.

Conclusão: A imobilização de fratura simples, completa e transversa no terço distal do MCIII é uma opção viável, desde que consideradas as limitações inerentes à técnica.

* flaviagiacomazzi@yahoo.com.br