PRESCRIÇÃO DE ANTIBIÓTICOS EM INFECÇOES DO TRATO RESPIRATÓRIO DE EQÜINOS

Rogerio Derretí*; Ivan Deconto; Lia Rieck

Introdução: O uso indiscriminado de antibióticos tem sido associado ao aparecimento de cepas bacterianas resistentes. O uso de variáveis farmacocinéticas e farmacodinâmicas  espécie-específicas para estabelecimento de regimes de dosagem foi proposto como uma abordagem racional (Lees, Int. J. Antimicr. Agents, 2002). Objetivo: O objetivo deste estudo foi conhecer os padrões de prescrição de antibióticos em infecções do trato respiratório dos eqüinos e compará-los com as recomendações da literatura específica e orientações contidas nas bulas das marcas comerciais mais citadas pelos participantes.

Metodologia: Um questionário com 14 perguntas sobre indicações, freqüência de uso de antibióticos, dosagens, duração do tratamento, associações de drogas e marcas mais prescritas foi enviado para 253 veterinários de eqüinos das regiões sudeste e sul do Brasil. A participação foi espontânea e a privacidade assegurada. As respostas foram comparadas com a literatura específica, orientações da OIE e bulas das apresentações comerciais.

Resultados: Houve 10% de retorno dos questionários. O uso de antibióticos variou entre 30 e 60% do total de prescrições e 82.6% dos participantes relataram que entre 10 e 40% destas prescrições destinavam-se ao tratamento de infecções respiratórias.

Discussão: As práticas relatadas mostraram que na população estudada não existe um padrão de prescrição de antibióticos no que concerne à dosagem, duração de tratamento e associação de drogas. As informações da literatura, orientações das bulas e práticas de prescrição relatadas são contraditórias.

Conclusão: O presente estudo evidencia a contradição entre as práticas da população estudada e as orientações contidas nas bulas das apresentações de antibióticos comercializadas, além da defasagem destas frente às recomendações da OIE (Office Internationel des Epizooties, The Use of Antibiotic in Animals – Summary and Recomendations from the European Scientific Conference, 1999) e ao conceito de uso racional de antimicrobianos.  

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