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Aline Fabrini Bonfá*; Luis Fernando Bastos; Pedro Vicente Michelotto Júnior; Silvana Maris Círio
Introdução: A nefrolítíase bilateral apresenta-se como uma patologia relativamente incomum em eqüinos, (Divers 1989,1996; Machang 1984; Laverty et al 1992). Pode-se desenvolver nefrolitíase em torno de um ninho associado a uma variedade de doenças renais, incluindo doença do rim policístico, pielonefrite, necrose papilar ou neoplasia (Jackson 1972; Jackman e Schott 1997).
Relato do Caso: Um eqüino Lusitano macho de quatro anos de idade foi encaminhado para atendimento veterinário com histórico de inapetência, emaciação e quadro clínico de cólicas recorrentes, com intensa ulceração da mucosa oral. Foram realizados exames complementares, detectando-se um quadro clínico de azotemia. O hemograma demonstrou leve anemia e a urinálise revelou hipostenúria, com pH levemente elevado, indicando uma doença renal. O exame ultra-sonográfico não foi diagnóstico. Após 46 dias de tratamento com objetivo de manter o balanço hidroeletrolítico e de restabelecer a função urinária, o quadro clínico se agravou. Devido ao persistente aumento dos níveis séricos de uréia e creatinina foi indicada a eutanásia. Na necropsia se detectou a presença de nefrolitíase bilateral, com aumento de rim esquerdo e diminuição do rim direito, além de intensa ulceração da mucosa gengival e da língua, gástrica e duodenal e sinais de peritonite em diafragma e omento. O exame histopatólogico detectou nefrite intersticial não purulenta multifocal e microcálculos em medular. A análise química do cálculo revelou a presença de carbonato e oxalato de cálcio em sua composição.
Discussão: O carbonato de cálcio é o mineral predominante em cálculos do trato urinário superior de eqüinos, entretanto cristais de carbonato de cálcio são componentes normais da urina desses animais (Machang et al. 1984; Divers 1983). Anormalidades no metabolismo do cálcio, infecções bacterianas, neoplasias e drogas, principalmente anti-inflamatórios não esteroidais parecem ser fatores predisponentes (Ehnen et al. 1990; Divers 1996). Conclusão: A nefrolitíase em eqüinos pode ser de difícil diagnóstico, uma vez que estes podem permanecer assintomáticos até que a doença obstrutiva se desenvolva em insuficiência renal aguda ou crônica, dificultando o seu tratamento devido à extensão da lesão renal.
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