MIELOENCEFALOPATIA DEGENERATIVA EQÜINA: UM DIAGNÓSTICO A SER CONSIDERADO

Rogério Martins Amorim*; Letícia Yonezawa, Felipe Gomes Padilha; Simone Biaggio Chiacchio; Roberto Calderon Gonçalves; Alexandre Secorun Borges

Introdução: A mieloencefalopatia degenerativa eqüina (MDE), parte do grupo das distrofias neuroaxonais, é uma desordem do sistema nervoso central de origem desconhecida que tem sido associada à deficiência de vitamina E, e que afeta cavalos jovens com idades variando de 2 meses a 3 anos.

Relato do caso: Um eqüino, Mangalarga, 1 ano de idade, macho, foi  atendido com histórico de incoordenação de início lento e curso progressivo de um mês, com episódios de decúbito permanente. Ao exame neurológico o animal estava alerta, em decúbito lateral com tetraparesia espástica. Os reflexos miotáticos variavam de diminuídos a normais. Quando colocado em estação apresentou ataxia grau 4 em ambos os membros anteriores e graus 4 a 5  nos  posteriores, desgaste das pinças dos cascos e hipermetria de membros pélvicos. Já o reflexo torácico lateral estava diminuído, assim como o “slap test”. Como exames complementares realizou-se hemograma, fibrinogênio, pesquisa de mioglobinúria, uréia, creatinina, atividade sérica da AST e GGT, albumina,  globulinas, bilirrubinas e creatinaquinase (CK), mielografia cervical, exame de líquor, pesquisa  liquórica de anticorpos contra Sarcoscystis neurona e soroneutralização para herpesvírus eqüino tipo 1. A terapia inicialmente instituída foi com dexametasona, vit. E e selênio, sulfadoxina + trimetoprim, pirimetamina e diclazuril; posteriormente apenas com vit. E.

Discussão: Os achados do exame clínico possibilitaram a formulação de uma lista de diagnósticos diferenciais incluindo-se: Mieloencefalite Protozoária Eqüina, Mielopatia Estenótica Cervical, Mieloencefalite Herpética, Mieloencefalopatia Degenerativa Eqüina e Distrofia Muscular Nutricional. Os exames complementares realizados permitiram excluir as enfermidades citadas acima, com exceção da Mieloencefalopatia Degenerativa. A resposta do animal à terapia com vit. E foi excelente.

Conclusões: Baseado nos achados do exame neurológico e na resposta à terapia, o diagnóstico clínico foi de Mielopatia Degenerativa responsiva à vitamina E.

Instituição: Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – Universidade Estadual Paulista – Campus Botucatu
Rubião Jr., s/nº, CEP: 18607-000, Botucatu, São Paulo.
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