MIELOENCEFALITE PROTOZOÁRIA EQÜINA - ESTUDO DE 15 CASOS

Teixeira, R.B.C.T.*; Amorim, R.M.; Borges, A.S.; Gonçalves, R.C.; Chiacchio, S.B.

Introdução: A Mieloencefalite Protozoária Eqüina (EPM) é a doença neurológica mais importante dos cavalos do Continente Americano. O protozoário mais comumente associado à doença é o Sarcocystis neurona. Seu ciclo de vida completo ainda não é conhecido, novos hospedeiros intermediários estão sendo estudados. Duas espécies de gambá são conhecidas como hospedeiros definitivos (Didelphis albiventris e Didelphis virginiana), sendo o cavalo considerado hospedeiro aberrante terminal, porém existem indícios de que possa ser hospedeiro intermediário do protozoário.

Objetivo: Este trabalho tem como objetivo fornecer dados clínicos dos animais com diagnóstico de EPM, atendidos na Clínica de Grandes Animais da FMVZ - Unesp Botucatu.

Metodologia: Foram utilizados dados clínicos de 15 eqüinos, de diferentes idades e raças, de ambos os sexos, com incoordenação e detecção positiva de anticorpos anti-Sarcocystis neurona no líquor pelo método de Western Blot.

Resultados: A idade dos animais variou entre 3 e 19 anos, com maior prevalência aos 3 e aos 4 anos. A raça de maior prevalência foi a Quarto-de-Milha. Em sua maioria, a doença teve início lento e evolução progressiva. Os sinais clínicos mais comuns foram incoordenação decorrente de déficit proprioceptivo e paresia dos membros (mais acentuados nos posteriores). Somente 3 animais apresentaram líquor com aumento de proteína, nos demais o líquor não apresentou alteração na análise físico-química. O titulação de anticorpos no líquor variou entre 5 e superior a 75. A terapia mais utilizada foi Diclazuril (5mg/Kg,VO, SID), associadas a Vitamina E e Selênio (5000 UI, VO, SID), ao antiinflamatório não esteroidal e a fisioterapia.

Discussão: A maior incidência em animais aos 3-4 anos de idade pode estar relacionada ao estresse de preparação para competições e viagens, vindo ao encontro com a literatura consultada. Os sinais clínicos estão relacionados à localização do parasita no sistema nervoso central, e a sua gravidade não tem correlação com a titulação de anticorpos. Em nenhum dos casos os animais apresentaram alteração encefálica. A atrofia muscular não foi um sinal clínico de grande incidência. A análise físico-química do líquor não auxilia no diagnóstico, porém é importante para a determinação do número de hemácias para evitar resultados falso-positivos.

Conclusão: A EPM foi a enfermidade mais freqüente dos eqüinos atendidos com histórico de incoordenação. O Western Blot é o exame de eleição para diagnóstico in vivo. Com os dados clínicos indicados não foi possível concluir qual foi a melhor terapia, porém a fisioterapia parece ser o principal fator para reabilitação do animal.

Departamento de Clínica Veterinária – FMVZ- Unesp- Botucatu
* raffateixeira@terra.com.br