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Ana Guiomar Matos Santiago Reis*; Ricardo Maurício Favaretto; Luis Claudio Lopes Correia da Silva; Stefano Carlo Filippo Hagen; Maria Lucia Zaidan Dagli; Wilson Roberto Fernandes
Introdução: A obstrução esofágica recorrente pode ser uma indicação de desordem anatômica ou funcional persistente, sendo o divertículo esofágico uma das causas que levam a esta obstrução. Este relato descreve um caso de obstrução esofágica e pneumonia aspirativa secundários a divertículo esofágico.
Relato do caso: Eqüino, quarto-de-milha, macho, 12 anos foi encaminhado ao HOVET-USP por apresentar regurgitação de alimento pela narina, bruxismo e sialorréia. Há 60 dias havia ocorrido o mesmo quadro clínico na propriedade. Ao chegar ao hospital o animal apresentava mucosas cianóticas/toxêmicas, taquicardia, taquipnéia, extertor pulmonar bilateral, hipertermia, tosse, desidratação e apatia. Antibioticoterapia, oxigenoterapia e fluidoterapia foram instituídos logo após sua chegada. A gastroscopia foi realizada com 7 dias de internação, quando o animal apresentou melhora clínica que permitiu sua sedação profunda. Neste exame pôde ser observada uma região ulcerada seguida de obstrução por conteúdo alimentar. Fragmentos desta região foram coletados e enviados para análise histopatológica, o qual revelou uma gastrite ulcerativa e supurativa grave. O exame radiográfico contrastado foi realizado e pode ser observada uma dilatação esofágica pré-estomacal de aproximadamente 5cm de diâmetro na posição ventral. A pneumonia aspirativa foi confirmada por meio de ultra-sonografia pulmonar, cultura e citologia do lavado traqueobrônquico. Após 28 dias de internação este animal veio a óbito. Na necropsia foi constatado por análise microscópica que os fragmentos coletados do divertículo eram compatíveis com epitélio de esôfago. A causa mortis foi insuficiência respiratória. Discussão: Alguns casos de divertículo esofágico já foram relatados em eqüinos, porém a maioria ocorreu na região distal do esôfago cervical. Sendo assim os métodos de reparação cirúrgica nestes casos incluem a inversão ou ressecção da mucosa prolapsada.
Conclusão: No presente caso não foi possível a intervenção cirúrgica devido ao difícil acesso cirúrgico associado às condições clínicas do animal.
Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia - Universidade de São Paulo
* anaguiomar@bol.com.br