CARCINOMA ESPINOCELULAR DOS SEIOS PARANASAIS EM EQÜINOS

Natalie Sene*; Pedro Vicente Michelotto

Introdução: Tumores dos seios paranasais são incomuns em equinos, sendo o mais encontrado o carcinoma espinocelular. Os sinais clínicos são normalmente inespecíficos para esse tipo de tumor e são relatados de acordo com o estágio de desenvolvimento. Cavalos com tumores de seios paranasais apresentam descarga nasal unilateral, com maior freqüência no lado envolvido. O exudato possui odor fétido e varia de mucopurulento a serosanguinolento. Em casos graves pode ocorrer epistaxe.  Em estágios mais avançados há surgimento de edemas faciais ou deformidades dos ossos da face.
Relato de caso: Égua Percheron, 15 anos, tordilha, com significativo aumento de volume (25 cm de raio) na região dos seios paranasais direito, com evolução de dois meses. O estudo radiográfico da arcada dentária e seios paranasais demonstrou fratura de 3º molar superior. Foram extraídos 1º, 2º, 3º molares e 4º pré-molar superior. As câmaras caudal e rostral do seio maxilar direito sofreram trepanação, curetagem e lavagens diárias utilizando-se solução fisiológica com PVPI a 10%. A terapia inicial constou de Penicilina; Gentamicina e Flunixim meglumine. A não melhora do quadro clínico do animal acarretou a mudança de tratamento: lavagens com Permanganato de potássio; Fenilbutazona e Triclorometiazida associado à Dexametazona. Sequencialmente os exames laboratoriais evidenciaram anemia, linfopenia, leucocitose e diminuição de creatinina. Posteriormente, optou-se pela lavagem do local afetado com rifamicina. A paciente apresentava apatia, inapetência, emagrecimento, epistaxe unilateral direita, febre, cabeça baixa, aumento do linfonodo submandibular direito, taquicardia e taquipnéia, odor menos fétido sem exsudação. O exame bacteriológico revelou Pseudomonas sp.  e  Streptococcus sp., optando-se pelo uso de  ceftiofur sódico. 3 mg/kg/ SID/ IV. Com o aparecimento de ataxia pélvica, blefarofimose do olho direito e aumento contínuo de volume da face direita decidiu-se pela eutanásia. À necropsia observou-se grande invasão de massa tecidual atingindo seios maxilares e frontal, espaço periocular, ossos maxilar, mandibular e turbinados. Os exames histopatológicos confirmaram osteodistrofia fibrosa e carcinoma espinocelular altamente invasivo.
Conclusões
: Este caso sinaliza a necessidade da inclusão do carcinoma espinocelular no diagnóstico diferencial de aumento de volume facial com comprometimento dos seios paranasais em equinos, bem como a importância da biópsia e exame histopatológico para confirmar o diagnóstico.

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